E amanhã, 28/06, temos lançamento! Dá só uma espiadinha o que está chegando!

Romance de estréia no Brasil da autora Rhonda Forrest, A Cabana a Beira Mar é um romance histórico, amadurecimento, amor e suas complicações no cenário da Segunda Guerra Mundial.

Um romance que oferece uma ligação entre o presente e o passado, mostrando a beleza natural de uma fatia espetacular da Austrália

Sinopse:

Uma mistura intrigante de romance histórico, amadurecimento, amor e suas complicações no cenário da Segunda Guerra Mundial. Um romance que oferece uma ligação entre o presente e o passado, mostrando a beleza natural de uma fatia espetacular da Austrália.

Uma cabana de pesca isolada em uma bela baía em Whitsundays oferece a Luke um retiro onde ele pode encontrar paz e solidão. No entanto, a descoberta de relíquias de família da guerra e um relacionamento em desenvolvimento com a bela Lily, conectam histórias de linhagem e revelam um fato que ameaça destruir sua chance real de felicidade.Os segredos da guerra serão o ponto de ruptura para um belo romance? Ou duas famílias podem deixar para trás os feitos do passado? Romântico e puramente australiano, o A Cabana a Beira Mar captura a beleza intocada das Whitsundays e as memórias de guerra dos australianos mais velhos, ao mesmo tempo em que introduz uma mistura eclética de amigos e familiares.


Sobre a Autora: Rhonda Forrest é professora australiana e autora de quatro romances: Kick the Dust (2019), Two Heartbeats (2018) e sob o pseudônimo de Lea Davey, O secredo do bicho da seda (2017) e A cabana a beira mar (2016). Ela escreve cativantes romances femininos de ficção contemporânea e ficção histórica sobre relacionamentos, vida familiar e questões sociais em meio a belas e exclusivamente paisagens australianas. Depois de criar três filhas e percorrer várias carreiras diferentes, Rhonda passou a ensinar escrita criativa, inglês e história a estudantes do ensino médio. Em 2015, ela ensinou inglês como segunda língua para refugiados recém-chegados à Austrália. Sua paixão pela alfabetização, história e viagens pela Austrália alimenta seus romances.

Atualmente, Rhonda mora com o marido alternando entre duas casas em Queensland: uma em Tamborine Mountain, a outra casa de um século com um jardim tortuoso, com vista para Whitsundays.


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Leia um trecho:


Luke tentou lembrar exatamente quantos anos tinha, talvez dezessete, quase dezoito, quando Sylvia o afastou de uma das muitas reuniões sociais que eram comuns no pequeno povoado de Quindry. O guiou pela escuridão ao longo do caminho de terra no matagal seco, até a cabana; um prédio de estanho isolado, alugado por ela a baixo custo, escondido no matagal de eucalipto, no fundo de um quarteirão de propriedade de um pescador de arrasto que raramente estava em casa.

Embora Sylvia fosse uma mulher dez anos mais velha, ela decidiu que ele era viril, jovem demais, fácil e inocente para deixar passar. A festa local em que eles estavam se deteriorou rapidamente, com os efeitos tóxicos nos habitantes da vizinhança, à medida que a noite de embriaguez se prolongava. Alguns convidados tinham desmaiado nas suas cadeiras, as latas de cerveja descansando sobre os seus estômagos em forma de balão, o resultado óbvio de um estilo de vida de má alimentação e copiosas quantidades de álcool.

Muitas das mulheres já tinham partido, cambaleando juntas de braço dado, deixando apenas um punhado de pescadores muito bêbados que ainda estavam reunidos, compartilhando as besteiras de sempre em torno do fogo que ardia em um tambor.

O grupo da escola com quem Luke tinha vindo ou estava desmaiado nos colchões dentro do barracão próximo, ou dormiam nos carros estacionados debaixo das árvores. Como sempre, Luke andava livremente, sem nenhum adulto para se preocupar com o seu paradeiro. Sylvia tinha-o mantido ocupado, entretido durante cerca de uma hora, conversando e rindo com ele, garantindo que a sua bebida fosse enchida. Ele não havia notado que os outros caras estavam se afastando, seja para tentar a sorte com a garota escolhida que tinham alinhado para a noite, ou simplesmente para cair onde estavam sentados ou parados para dormir à noite toda.

Lá estava ele sozinho com uma mulher mais velha que ria com sua fala confusa, ajudando quando ele tropeçava e o fazendo rir com os contos vindos da sua infância em uma severa família italiana.

Ele não tinha coragem e nem estava sóbrio o bastante para recusar algo, e somente a seguia onde ela o levava. Pensamentos confusos inundavam sua mente e abriam seus olhos, cientes de que a mulher que estava dando tanta atenção a ele era linda, de bustos voluptuosos que apareciam em sua blusa justa e que apontavam diretamente para ele, enquanto ele tentava, continuamente e sem sucesso, desviar o olhar.

Debruçando-se sobre ele, ela ria, suas mãos macias e maliciosas enquanto tocava as costas do rapaz. As pernas alongadas eram impecáveis, cobertas por uma pequena saia vermelha, justa e brilhante, bronzeadas e esculpidas com perfeição. As panturrilhas levemente delineadas levavam até os tornozelos tão sensuais, unidos aos pés bronzeados e de unhas pintadas em um tom vermelho forte.

Tonto e cambaleando, ele seguiu os passos dela, e seus olhos viajavam das pernas ao busto, dos tornozelos à cintura marcada. Os olhos de Sylvia, escuros como os dele, eram circundados por longos cílios negros que pareciam tomar cada parte do corpo do rapaz. O estômago de Luke continuava a rodar e dava pequenas e estranhas voltas, uma sensação de agitação e calor que passava pelo seu corpo.

Sem saber o que mais fazer, ele seguia as instruções daquela mulher que deixava claro que o estava levando para passar a noite com ela.

Luke balançou a cabeça, maravilhado por lembrar-se de tantos detalhes da noite que tinha acontecido há tanto tempo: memórias que haviam sido deixadas de lado, nas quais ele não pensava há anos. Um dia de pescaria esvaziaria sua mente e por sorte o faria parar de remoer aqueles acontecimentos do passado, memórias que preferiria apagar.

Concentrando-se na tarefa que tinha em mãos, ele segurou firme a corda que ligava o pequeno barco de pescaria à areia da margem, puxando a linha retorcida com suas mãos morenas pelo sol e guiando o barco de pesca em direção ao mar. A boia de amarração de plástico, puxada para baixo com o peso de um bloco de concreto, subia e descia com as ondas, amarrada a um carvalho alto na costa arenosa. Um sistema simples e confiável, que permitia que o barco fosse preso com segurança, puxado e solto para cima e para baixo quando fosse necessário.

A corda parou de deslizar em suas mãos e se firmou, a estabilidade e o tamborilar do motor do pequeno barco funcionando-se uniformemente, começou a vibrar, até pulsar, expulsando a fumaça inicial para além da proa.

Contando os anos que passaram, Luke decidiu que deveria ter sido pelo menos dez desde que conheceu Sylvia; o interlúdio subsequente continuou por um ano. Se tivesse ficado em casa ontem à noite, em vez de ceder à tentação de algumas bebidas e de socializar no pub local, não teria se encontrado com ela novamente e definitivamente não estaria pensando nela agora.

Irritado com os pensamentos persistentes, atirou a corda para fora e o barco de pesca prateado percorreu a baía. Balançando o timão, deu vida ao motor, a proa subindo como se estivesse sentindo a aventura pela frente, empurrando para frente, se elevando e depois mergulhando suavemente, fluindo sobre as águas ininterruptas. O nariz do barco apontava diretamente para as montanhas escuras que se erguiam através da costa distante a oeste.

Recostando-se, o jovem se acalmou, com a brisa fresca espairecendo seus pensamentos enquanto o barco se equilibrava, a fumaça ainda saindo do motor recém acionado e uma persistente trilha deixada pelo seu trajeto.

Pequenos peixes-isca assustados saltaram freneticamente pela água cerosa, formando um caminho de prata cumprimentando o pescador ao amanhecer. O nevoeiro úmido ainda se agarrava pesadamente ao topo da cordilheira a oeste, e as nuvens cobriam as pontas da ilha de Gloucester, ao norte. Pairando sobre a nuvem de neblina, a escuridão vívida do céu azul do alvorecer cumprimentava e olhava para baixo, ainda carregando a estrela cintilante de Vênus e a crista da lua branqueada. Azul cercando azul, com montanhas de safira escuras circundando, observando protetoramente sobre o azul do mar vítreo, acompanhado apenas pela vivacidade do céu agora iluminando. Ben Lomond Mountain se elevava vigilante sobre toda a baía, pairando majestosamente, guardião do oceano e observador cuidadoso, protetor de tudo o que estava à frente.

O hábito permitiu que ele soubesse que havia viajado a oeste o suficiente. Agora se sentou e esperou que a neblina levantasse um pouco, permitindo-lhe encontrar seu rumo. Casualmente colocando o motor em neutro, ficou imóvel, esperando pacientemente e assistindo; o nevoeiro o encarava desafiadoramente, imóvel, olhando-o teimosamente, sem vontade de permitir que os segredos e marcas que envolvia fossem vistos com facilidade.

O barco circulou algumas vezes, o motor afundando e atirando cal na sua esteira. Hora de fumar e de um pouco de paciência até que as marcas-guia fiquem visíveis, ele pensou, ao puxar a alavanca do afogador, fazendo com que o motor parasse e ficasse instantaneamente em silêncio.

O ar estava cheio de vazio: silêncio infinito, quebrado apenas por um pequeno ruído do lamber das ondulações na lata, enquanto o pequeno barco balançava livremente.

Luke se inclinou para a frente e pegou seus papéis de seda e o tabaco na bolsa caseira de juta que estava pendurada no interior do barco. Sentando-se, relaxou, suas pernas musculosas esticadas à frente, pés descalços bronzeados empurrando os baldes e molinetes para o lado enquanto ele encontrava uma posição confortável.

— Aqui vamos nós — ele disse em voz alta para o vácuo do silêncio. — Vamos ver que tipo de bagunça eu faço.

Alisando o papel vegetal na palma da mão, ele derramou o tabaco de folhas solta ao longo do papel, estreitando-o e livrando o cilindro daqueles caules que simplesmente não deviam fazer parte da linha principal. Lambendo a borda do papel, ele o enrolou entre os dedos, modelando, moldando o objeto cilíndrico, segurando-o para sua própria avaliação ou, como sempre, balançando a cabeça, um sinal de desaprovação por suas habilidades inadequadas em enrolar um cigarro.

Não parecia importar quantas vezes ele repetia esse procedimento, nunca melhorava. Consequentemente, o resultado final era um cigarro solto e trêmulo que queimava rapidamente, permitindo apenas alguns tragos muito apreciados. Por que ele não poderia enrolar como Pa? Tantas vezes ele tinha observado o seu avô enrolar as tiras de fumo e papel apertadas habilmente entre o seu dedo indicador e o polegar. Pelo amor de Deus, Pa conseguia enrolar um cigarro perfeito.

O velho agachava-se enquanto conversava, pés endurecidos da terra, firmemente apoiados no chão, muitas vezes usando apenas uma mão para enrolar e depois acender. Pa dirigindo o carro, enrolando com a mão direita enquanto dirigia com a esquerda, inclinando-se para frente sobre o volante para lamber e umedecer a borda do papel, virando-o para trás em direção aos seus lábios. Ele avaliava o cigarro recém-enrolado antes de recostar-se, o cotovelo na borda da janela do carro enquanto dava uma tragada profunda, apreciando o cigarro até que se tornasse em um pequeno pedaço. Pa, então, sacudia a bituca pela janela do carro, apenas para que o toco quente e reluzente voasse de volta e aterrissasse no colo de Luke no banco de trás da tranquila família Holden.

De volta à casa, as bitucas encontraram um fim mais natural: geralmente eram jogados pelo quintal, fundindo-se com a sujeira como ímãs, esperando a primeira criança descalça e desavisada ficar parada sobre as pontas ainda queimando. Muitas vezes, adicionando às marcas de queimadura de bitucas anteriores nas solas dos pés, por sorte, endurecidos.

A única resposta ao grito de queixa da criança descontente seria um grito de Pa: — Ora, crianças, da próxima vez vejam por onde andam.

As memórias da infância rodavam entre os tentáculos de fumaça, bloqueando o presente como a névoa na montanha. Luke tragou lenta e profundamente, saboreando a fumaça tradicional da pesca, colhendo os pedaços indesejado de tabaco solto. Dando algumas tragadas apressadas, ele terminou o cigarro, que havia queimado muito rapidamente devido à sua falta de conhecimento em enrolar.

As lembranças colidiram novamente enquanto o cheiro do tabaco trazia pensamentos do Pa apressado. Foi sempre aqui na água, cercado pela quietude, tranquilidade e familiaridade da baía, que as lembranças preenchiam sua cabeça. Ele baixou a guarda e permitiu que a presença espiritual do velho atravessasse a sua mente, visões e palavras ecoando, voltando para ele como um filme antigo sendo exibido em sua mente.

Foi Pa quem juntou os cacos, trazendo Luke para morar com ele e Nan em sua fazenda escondida nas traseiras do distrito de Burdekin. Os irmãos de Luke, muito mais velhos, já tinham saído de casa há muito tempo e agora estavam embutidos na vida universitária ou no trabalho, longe da crescente negligência que havia se tornado comum na vida de Luke.

Seu pai, Eddie, faleceu quando Luke tinha apenas quatro anos. As únicas lembranças restantes, colhidas em algumas fotos antigas: Eddie segurando a mão de Luke na sua; e Luke sentado nos ombros de seu pai, ambos sorrindo alegremente, abraçados firmemente um ao outro. As fotos foram tiradas nos campos de cana atrás de Proserpine, onde Eddie havia sido empregado como trabalhador rural.

A mãe de Luke, Marlene, havia lhe dito que Eddie, com seus cabelos escuros, havia chegado à região de Proserpine com sua experiência e boa aparência quando jovem, perseguindo as oportunidades nos canaviais e o dinheiro que sabia vir com muito trabalho para aqueles que estavam interessados. O destino enviou Eddie para os braços e a vida de Marlene, quando eles se conheceram em uma dança no antigo salão de Proserpine.

Pa dissera a Luke que, quando Marlene, a única filha deles, trouxe Eddie para casa para conhecê-los, eles ficaram preocupados.

— Podíamos ver que ele tinha sangue asiático, porque ele tinha a pele mais escura — disse o Pa. — Mas ele não se destacava muito, porque muitos dos cortadores de cana aqui em cima eram muito parecidos, provavelmente por causa das horas que passavam ao sol. Mas Eddie, sabe, havia algo nos olhos dele e naqueles cabelos pretos, muito parecidos com os seus, Luke. Primeiro, quando a sua mãe o trouxe de volta para se encontrar conosco, pensamos, raios, isto não vai funcionar. Mas quer saber, bem, não demorou muito. Ele conquistou o coração da sua avó de imediato. Costumava cortar a lenha toda e fazer todos os pequenos trabalhos à volta do lugar. Ele e eu, bem, ficávamos horas conversando sobre a cana, a tonelagem, o preço que queríamos. Ele conhecia a indústria da cana por dentro e por fora.

Pa havia parado de falar e enrolado outro cigarro, recomeçando uma vez que o cigarro bem feito estava em sua boca e aceso. Segundo Pa, Eddie estava sempre ajudando os outros e tinha o que Pa e Nan chamavam de um coração enorme.

— Ele tinha um coração tão grande quanto Phar Lap, sim, Eddie tinha — Pa lembrou, pensando nos dias mais felizes da família. — Se houvesse alguém com problemas, seria Eddie quem os ajudaria. Se algo precisasse de conserto, ele estava lá sem que pedissem, e se você estivesse com seus problemas e precisasse de alguém para ouvir, seria Eddie que daria tempo para ouvir, nunca julgando ou repreendendo. Ele só estaria lá.

Pa olhou tristemente para a distância. — Você veio por último, Luke. O mais novo, o brilho em seus olhos. Vou te dizer, ele era o pai mais orgulhoso que eu já vi. Maldição amou todos vocês, suas crianças, como nada mais na Terra. Seu pai passou cada segundo livre, quando não estava trabalhando, brincando com seus filhos, assistindo a todos os jogos de futebol ou netball que os três mais velhos jogavam. Caramba, ele lia para você todas as noites, mesmo quando chegava atrasado e imundo de cana.

— Quando ele chegava em casa do trabalho todo sujo e cansado, você corria até ele com suas pernas gordinhas, seus bracinhos esticados para ele pegá-lo. Ele jogaria você no ar, aqueles grandes braços fortes dele estendendo a mão para pegá-lo. Ainda me lembro da sua voz animada, "mais alto, mais alto". Sempre carregando você em todos os lugares, e onde quer que ele fosse, você também ia. Andando ao lado dele, segurando suas grandes mãos. À noite ele o deixava dormir no colo dele, abraçando-o bem perto, sempre observando. Ele não tirava os olhos de você.

— Marlene explodia. “Você vai estragar o último,” ela falava. Eddie ria e dizia a ela que nenhuma criança se estragava com tanto amor. Seu pai, ele aconchegou você mais perto até que ela finalmente o fez te colocar em sua própria cama. Ele dizia a todos vocês, a escola é o que conta, acerte a leitura e a matemática.

Pa enxugou uma lágrima. — Por que você acha que é tão inteligente? Ha! Como acha que todos os seus irmãos e irmãs acabaram tão inteligentes? — Pa murmurou, sabendo que não era o resultado de sua própria filha. — Se tivesse sido deixado para ela, Marlene, todos vocês usariam camisas tingidas, miçangas em volta do pescoço e viveriam na maldita Nimbin. Não, foi tudo o que Eddie fez, por isso vocês são todos inteligentes. Maldita Marlene, às vezes me pergunto como ela é minha filha, não tem um cérebro em sua cabeça. Ela está mais preocupada com outras pessoas que ela nem conhece, colocando-as antes de sua própria família.

Abaixando a voz e com os ombros caídos, Pa continuou com seu discurso retórico. — Que Eddie, ele era um dos melhores caras que você poderia conhecer. O mundo não é justo às vezes. — O velho terminou com essa constatação: admiração e forte respeito por Eddie, amor, mas desapontamento e desilusão, com sua própria filha Marlene.

Recordando a longa conversa com Pa, Luke lembrou-se de ter perguntado onde Eddie morara antes de Proserpine.

O velho pensou bastante e contou a Luke o que sabia sobre o passado de Eddie. — A mãe de Eddie, bem, o nome dela era Kathleen. Ela não era da área de Proserpine e ninguém tinha certeza de onde ela era. O pai de Eddie, que seria seu avô, bem, ele era um malaio. Não me lembro do nome dele, mas lembro-me de Eddie me dizendo que esse pai havia sido morto no início da guerra, em algum lugar do Pacífico.

Havia incerteza sobre onde a avó australiana de Luke, Kathleen e o avô da Malásia haviam se conhecido, mas a história foi contada que, depois que o pai de Eddie morreu na guerra, um cortador de cana chamado Sid Tamble assumiu a viúva Kathleen e criou Eddie como se ele fosse seu. A família trabalhava nas fazendas a oeste de Mackay, e foi aí que Eddie passou a infância, eventualmente como tantos outros garotos de sua idade, saindo da escola cedo para começar sua própria carreira de corte de cana.

Infelizmente, Eddie não tinha estado lá para ver o seu mais novo começar a sua escolaridade. Na sexta-feira antes de Luke começar a pré-escola na escola estadual local, Eddie, o mais amável e gentil dos homens, foi atropelado por um motorista bêbado que ainda estava no ar desde a noite anterior. Eddie andava no início da manhã, pronto e ansioso para começar o dia, contente com o mundo e livre de problemas. Ele foi morto instantaneamente, sem dúvida ainda assobiando uma melodia, como sempre fazia no caminho para o trabalho.

A vida mudou para sempre. Luke, com apenas quatro anos na época, nunca conheceu o pai que o amava tanto. A personalidade de Eddie, no entanto, era de Luke, a gentileza e a bondade passadas, os traços de um pai que era muito necessário e perdido por todos que o conheciam. Quando os irmãos mais velhos de Luke se formaram e saíram às pressas da pequena cidade para universidades e cidades mais ao sul, Luke ficou sozinho com sua mãe, Marlene.

Marlene nunca se recuperou após a perda do Eddie. Ela percebeu que tinha dado a maior parte da sua vida para educar quatro crianças e gerir uma casa, e agora que já tinha ultrapassado o trabalho árduo de criação de crianças, queria fazer coisas mais excitantes, como ajudar em orfanatos no estrangeiro, fazer retiros de yoga na Índia, e algum trabalho leve de apanhar azeitonas ao longo da costa italiana. O dinheiro do seguro que tinha vindo depois do acidente financiaria os seus sonhos e, como ela disse aos seus pais, Luke estava atrapalhando a vida de solteira que começava a desfrutar.

Foi Pa que interveio e ofereceu uma tábua de salvação a Luke, com seis anos de idade, e sua mãe que buscava liberdade. — Venha morar conosco, garoto — ele dissera a Luke. — Você pode andar até a escola local e ajudar sua avó e eu ao redor da fazenda. Adoraríamos ter você. Sua mãe quer ir embora e salvar o mundo, vivê-lo — ele disse desdenhosamente. — Nós queremos você. Há muito espaço.

Não havia objeções da mãe de Luke, Marlene, agora pronta para ver o mundo. O excesso de móveis foi vendido rapidamente para a loja de segunda mão local, várias viagens foram feitas para o depósito de lixo local, e um carregamento de caixas embaladas e extras foi recolhido para ser armazenado em uma sala de armazenamento da grande casa de madeira que Luke agora chamava de lar.

— Ele está trazendo todos os seus livros, e essa estante também, Marlene. Nem pense em vendê-los — Pa disse firmemente. — Há muito espaço para eles no quarto dele. Você sabe como ele os ama.

— Caramba, Pop, ele os trata como ouro, mas acho que ganharia alguns dólares cada um por eles — disse Marlene — ignorando o olhar desdenhoso e cortante de seu pai enquanto ela carregava outra caixa grande. —Luke pode ter todas estas outras merdas que eram do Eddie. Dói muito passar por elas. Simplesmente dê a ele o lote.

Marlene estava pronta para ir. Talvez fosse uma crise de meia-idade ou o choque de ser mãe solteira, mas ela estava cansada da cozinha e da limpeza, e da criação dos filhos. Ninguém nunca saberia realmente como funcionava a mente dela. O resultado final era que ela queria sair, queria experimentar a vida além de Proserpine e divertir-se um pouco, chutar seus calcanhares.

— Existem tantas pessoas carentes por aí para ajudar — ela explicou para Luke — e lugares para ver. Quero descobrir a vida e encontrar o meu verdadeiro eu.

Ela permaneceu firme, uma figura solitária resoluta em jeans rasgados e desbotados e uma blusa floral folgada, seus longos cabelos loiros presos com um lenço colorido e joias de prata no braço. Balançando os braços para o alto, ela se despediu animadamente do garoto quieto e sério de seis anos que nunca disse uma palavra em resposta.

Não havia lágrimas quando abraçou Luke, enquanto Pa e Nan observavam do alto da varanda. Jogando sua mala de viagem nova no banco do passageiro de sua Torana laranja, Marlene suspirou, fechou os olhos por um segundo e fez um pedido para sua nova vida. Uma corrente de poeira rodopiante seguiu o ponto laranja enquanto ela dirigia com firmeza, sem hesitação, pela entrada de terra, apenas momentaneamente diminuindo a velocidade antes de virar à direita e sair em alta velocidade pela estrada principal.


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