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O Espadachim (Duque do Diabo Livro 1) - Katharine Ashe

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Lady Constance Read é independente, bonita e precisa de um marido - agora.

O último homem na terra que ela quer é o libertino que partiu seu coração seis anos atrás, não importa que seus beijos sejam ardentes.

Evan Saint-André Sterling, o melhor espadachim da Grã-Bretanha, é rico, respeitado, mas resolveu que não quer se envolver seriamente com as mulheres - nunca mais. Ele não pretende perder a cabeça pela beleza encantadora que uma vez virou sua vida de cabeça para baixo.

Mas Constance precisa de um guerreiro, e Saint é o homem perfeito para o trabalho.

Somente como mulher casada ela pode penetrar na sociedade secreta mais notória da Escócia e levar um duque diabólico à justiça. Quando Constance e Saint se tornam aliados e amantes apaixonados, ele arrisca tudo para proteger a única mulher que já amou.


Prólogo


O Perigo

Abril de 1816

Fellsbourne, Propriedade do Marquês de Doreé

Kent, Inglaterra

Dos doze homens presentes na sala, ele era o único no qual não deveria fixar seu olhar. Não era um Lorde, nem um herdeiro. Nem descendente de uma linhagem impressionante ou um favorito do príncipe. Na verdade, sequer era um cavalheiro.

No entanto, não conseguia desviar o olhar.

Não importava; um nicho escondido era um lugar ideal para uma jovem dama poder espiar uma festa ousada. Até que alguém a descobrisse.

A menos que esse alguém fosse justamente certa pessoa.

Por quatro noites, ninguém reparara nela espreitando por uma abertura, que mal poderiam chamar de porta, no canto do salão de baile. Aqueles corredores haviam sido criados em uma época de rebelião e há muito tempo sua existência fora esquecida.

Exceto por ela.

E agora por ele.

Uma mescla de familiaridade e perigo a dominava pela a largura daqueles ombros e a luz das velas que incendiavam aquele olhar que a observava. Mesmo assim, não recuou nem fugiu pelo corredor escuro. Não temia que ele a conhecesse. Como as mulheres que tinham sido de fato convidadas para a festa, usava uma máscara que ocultava a parte superior do seu rosto. De qualquer maneira, não conhecia ninguém na sociedade. Seu pai ainda não a levara até Londres, limitando-se a deixá-la ali, em Fellsbourne, onde imaginava que estivesse em segurança, com a família do seu querido amigo. Onde, realmente, sempre esteve segura. Provocada, insultada, tratada como uma irmã mais nova irritante, e muito negligentemente aceita. Mas em segurança.

Até agora.

Sem deixar de focá-la, o estranho se levantou da cadeira com uma graça predatória. Locomoveu-se como um caçador, esguio, poderoso e alerta. Não inteiramente humano. Até no momento de lazer observava os outros, mostrando desinteresse nos flertes amorosos entre os homens e as mulheres que vieram para entretê-los, porém com olhar aguçado.

Observava como um príncipe elfo estudando seres mortais.

Por quatro noites se perguntou, se caso fosse uma daquelas mulheres, ele se interessaria por ela? Ele procuraria a sua atenção? Tocaria nela como os outros homens tocavam aquelas mulheres? Como ela ansiava ser tocada, abraçada, elogiada por ser especial, bondosa e bela?

Era perversa até a medula.

Má por querer que um estranho reparasse nela. Imoral por saborear a excitação em seu ventre enquanto ele caminhava diretamente para ela.

Em circunstâncias normais, sua língua era bem ágil. Mas circunstâncias normais nunca, em suas atitudes mais selvagens, incluíram um homem com olhos como os dele; verdes, transparentes e cintilantes como o luar sobre as águas de uma nascente na floresta. Talvez ele não fosse inteiramente humano. Não estava na Escócia. Mas a Inglaterra também tinha a seu quinhão de seres míticos.

Quando ele parou, perversamente, a pouco mais de meio metro dela, a sua língua falhou.

― Estava me encarando ― disse ele, com um tom que soava a conhaque aquecido à lareira, rico, profundo.

― Também olhava para mim. ― O tom baixo de suas próprias palavras a assustou.

― Um de nós deve ter começado.

― Talvez tenha sido espontaneamente mútuo. Ou apenas uma coincidência, e nós dois imaginamos que o outro começou.

― Que mortificante para nós dois então. ― Um leve sorriso apareceu no canto daquela boca linda. Bela. Ela nunca havia pensado sobre a bocas dos homens antes. Nunca havia reparado nelas. Agora notara, e isso esquentara suas vísceras.

― Ou sorte, ― ela se aventurou dizer. Sorria mostrando os dentes grandes. Mas não se importava. Um rapaz sorria para ela, um jovem com a pele queimada pelo sol, barba crescida e rala em redor da boca, como um pirata ocupado demais com o saque para se incomodar de não se barbear um dia ou dois. Não muito místico, na verdade. Tinha o cabelo da cor de ouro velho, ondulando sobre o colarinho e penteado para trás. Um sabre militar pendia ao longo de sua coxa, comprido e protegido por bainha de couro negro. O punho da arma cintilava.

Estava focado em seus lábios por isso focou nos dele. Arrepios de excitação subiram por sua espinha.

Beijos.

Seus lábios a fizeram pensar em beijos. Querer beijos. Beijos na sua boca. Beijos no seu pescoço como aqueles que as mulheres fáceis recebiam dos outros homens. Beijos onde quer que ele os desse.

Perversa, má, imoral.

― Dance comigo ― disse ele.

Ela lançou um olhar para o salão de baile. Todas as mulheres usavam disfarces, escassos, transparentes, que escorregavam por seus ombros sob os dedos ousados dos cavalheiros. Jack organizara o baile de máscaras para os amigos e para aquelas mulheres. Mulheres que não deveria invejar.

Não devia estar ali. Devia estar na casa da viúva, a cerca de 400 metros de distância, onde Eliza bebera whiskey no jantar e agora ressonava confortavelmente junto à lareira da sala

― Não posso dançar essa noite ― ela disse com mais pesar do que se lembrava de ter sentido alguma vez.

― Não pode? Ou não vai dançar comigo?

Sua língua moldou as palavras decadentemente, como se as sílabas tivessem nascido para beijar seus lábios e provocá-la com o que não poderia ter.

― Se eu pudesse, só o faria contigo.

Ele parecia estudar seu rosto: os olhos muito grandes, o nariz pequeno, a boca muito larga, as sobrancelhas manchadas e as bochechas redondas demais. Conhecia as próprias falhas e, no entanto, ele parecia gostar de estudá-las.

― Qual seu nome?

― Não tenho. ― Pelo menos um nome que pudesse dizer a um desconhecido com olhos de elfo e barba de pirata.

Ele sorriu, e foi simplesmente uma revelação de prazer que fez seu coração bater forte no peito.

― Vou chamá-la de Bela, ― disse ele, em seguida, franziu a testa. ― Mas já deve ter ouvido isso antes.

― Então, suponho que devo chamá-lo de Fera ― ela respondeu. Gostou da tensão em seu ventre que ele causou com o sorriso apenas.

― Pelo que estou pensando agora, deveria, ― disse ele muito a sério.

― O que está pensando agora?

― Que seus lábios são perfeitos.

Ela não conseguiu controlar esses lábios: estremeceram, sorriram, desconfiaram.

― Os homens já te disseram isso antes ― disse ele.

Ninguém jamais olhou para sua boca, exceto para atacá-la quando ela falava errado.

― Por que se importa com o que os outros homens me disseram?

― Porque desejo ser o primeiro, o mais eloquente e original. No entanto, não posso ser isso. E então eu falo antes que a batalha comece.

― Batalha?

― Por sua atenção.

― Tem minha atenção. Inteiramente. Isso parece óbvio para mim. ― Ela tentou não sorrir. ― Talvez esteja lento de raciocínio.

― Sem dúvida ― ele murmurou e abruptamente parecia mais perto, mais alto, maior. Ela podia sentir seu perfume, um cheiro de couro aquecido pelo sol e bergamota que ela podia alcançar e comer. ― Eu gostaria de beijá-la ― disse ele.

A explosão de excitação em seu ventre sufocou sua respiração.

― Eu devo ir — ela sussurrou. Mas não foi. Isso era errado, perverso, desleal de muitas maneiras. Mas seus pés não a obedeciam. Ela queria ficar. Queria respirá-lo cada vez mais e tê-lo mais perto.

Seus olhos brilhavam com a luz das velas.

― Não foi convidada para esta festa. Não é?

― Não.

― É uma serva nesta casa?

Estava na ponta de sua língua declarar: “Sim”! E deixá-lo continuar olhando para sua boca e dizendo coisas ultrajantes. Mas algo em seus olhos lhe dizia que ele saberia se ela mentisse.

Tenho que ir. ― Desta vez ela foi correndo pela a escuridão. Passou rapidamente pelo corredor estreito, com os sapatinhos finos tocando silenciosamente o soalho de madeira, contando os passos na escuridão total até à saída. Tinha se escondido naquelas paredes muitas vezes, de Jack, Arthur e Ben, espiando-os, ansiando estar do outro lado, ansiando ser bem-vinda às suas brincadeiras. Muitas vezes subia em cantos sombrios para estar perto deles sem revelar a sua presença. Sempre que a descobriam, fugiam. Os meninos são sempre meninos, dissera sua ama, ao que ela respondera que, se assim fosse, então os meninos magoavam.

Os passos da bota do estranho soaram atrás dela no corredor.

― Não vá. Eu imploro ― ele disse na escuridão.

Ela obedeceu e ele se aproximou num instante.

― O que esperava conseguir ao entrar naquela sala? ― perguntou ele, parecendo estar perto. Ouvia o som dos seus ombros roçando as paredes, como se o seu corpo preenchesse todos os espaços vazios no corredor e dentro dela. Sua cabeça girou.

― Eu queria vê-lo. Eu... ― Ela não podia mentir, mas sabia que seria uma idiota ao revelar algo sobre si mesma. ― Não preciso te contar.

― Foi proibida de participar ― disse ele com certeza. ― Não é de admirar.

― Não é de admirar?

― Lobos rondam este lugar esta noite. E é um cordeirinho.

Ela não se sentia como um cordeiro. Se sentia como Jezebel.

― Dificilmente. Acabei de fazer dezoito anos ― ela respondeu.

― Ah. Uma verdadeira idosa.

Ela gostou da provocação. Gostou que ele quisesse provocá-la, que a seguisse, e que agora estivesse perto demais.

― Sua língua é deliciosamente nobre, senhor. Sinto-me muito grata. ― O ar pareceu mudar, soltar-se.

― Não posso vê-la. ― Seu tom de conhaque aquecido estava mais suave agora. ― Acabou de fazer uma reverência?

― Claro. Esse elogio foi merecedor.

― Elogio?

Ela riu.

― Me chamou de idosa?

― Chamei?

― Sim, o fez.

― Não, eu não poderia. Esse deve ter sido outro sujeito que está nesta fenda escura conosco. O grosseiro. Mas não se preocupe. Irei despachá-lo quando terminarmos aqui.

― Quando terminarmos? ― Não tão cedo.

― Porque parou quando pedi?

― Não pediu. Implorou. Senti pena.

Abruptamente a tensão voltou, o ar zumbindo numa intensidade delirante.

― Sabe que pode estar em perigo aqui comigo? ― Ele disse pelo menos vários tons abaixo.

― Se eu estivesse em perigo contigo, não estaria agora se colocando em risco uma vez que me avisou?

Ele parecia ainda mais perto ― seu calor e cheiro, seus olhos que não podiam vê-la, e sua boca da qual ela queria beber seus beijos.

― Talvez eu ainda a coloque em perigo. ― Ele falou com uma aspereza que deslizou para dentro dela.

― Não o fará, ― disse ela, seus dedos se juntando em suas saias.

― Como pode saber?

― Porque eu o quero. E eu poderia ser feliz por, pelo menos uma vez, tendo um desejo realizado.

― As jovens como... ― Ele pareceu hesitar. ― Jovens que brincam com o perigo assim, se magoam.

― E se eu não estiver brincando? ― Ela mal podia respirar.

Ele não disse nada e o silêncio os envolveu.

― Me pergunto o que poderia querer ― ele finalmente disse. ― Estava espionando o salão de baile?

― Sim.

― Quem é o homem de sorte?

― E se eu pretendesse apenas espiar através dessa brecha na porta? ― Só na primeira noite. Na primeira noite tinha sido mera curiosidade. ― E se eu estivesse assistindo tudo decepcionada e com um tédio cada vez maior, à beira de abandonar a minha vigília em favor do livro em minha mesa de cabeceira?

― Tédio?

― Só porque eu nunca vira a libertinagem não significa que não saiba nada sobre ela. ― Ele não precisava saber que na primeira noite ela ficou um pouco irritada assistindo à festa de Jack, ansiosa para voltar à casa da viúva e à companhia familiar de Eliza.

Ele riu.

― Então, o que, oh jovem entediada, te impediu de voltar ao seu livro?

― Eu o vi. ― E sensações dentro dela que desconhecia ou nunca imaginara poder sentir.

Perversas.

Devassas.

― Agora, vou beijá-la ― disse ele com um pouco de urgência ― e se amaldiçoado por isso.

― Porquê? É pecado beijar uma mulher?

― Uma mulher, normalmente não. Uma jovem, sim.

― Então finja que sou apenas uma mulher essa noite. ― Ela falou em uma corda bamba.

― E amanhã?

― Amanhã... ― ela ficou na ponta dos pés, inclinou o queixo para cima e se inclinou para o calor dele. Ela aproveitaria esse delírio apenas por um momento, um momento proibido que parecia a coisa mais honesta que já fizera. ― Rezarei por nós dois.

Pensou que ele iria beijá-la. Alguns dos outros homens tinham avançado nas mulheres fáceis e beijaram-nas nos lábios sem sequer perguntar. Em vez disso, sentiu o mais breve roçar do braço dele contra o dela, o calor da mão dele momentaneamente perto do seu rosto.

Então uma pontada de dor.

Ela empurrou a cabeça para frente.

― Ai! ― A meia-máscara caiu do seu rosto e ela estava nua, seu rosto totalmente revelado. Mas na escuridão ele certamente não poderia vê-la.

― Perdoe-me ― disse ele, não particularmente arrependido.

― Puxou meu cabelo. ― A felicidade borbulhou nela. ― Poderia ter perguntado, sabe.

― Precisa de volts?

― A máscara ou meu cabelo?

― Se fosse minha, eu compraria pentes incrustados com diamantes para enfeitar seu cabelo. ― As palavras acariciaram-na.

― Tem como pagar diamantes?

― Hummm... Não.

― Pentes?

― Não.

― Flores silvestres, então.

― Flores silvestres?

― Adorne meu cabelo com flores silvestres e dançaremos no prado. Como uma donzela feérica. ― Com seu príncipe. ― Gostaria disso?

― Acredito que bastante. ― Ela o ouviu respirar profundamente. Nunca tinha escutado outra pessoa respirando antes, não assim, na escuridão, ouvindo tão intensamente, por não poder vê-lo. Era deliciosamente íntimo.

― Acho que gostaria de me demorar por um momento nesta cena imaginária no prado ― disse ele.

― Gostaria?

― Mas preciso de mais detalhes. Por exemplo, o que usará para esse desempenho?

― Não será uma performance. Pelo contrário, será uma celebração da liberdade.

― Liberdade de quê?

― De tudo. ― Da solidão. ― Então provavelmente usarei algo surpreendentemente indecente. Branco. Puro. Atrevo-me a dizer que conhece esse gênero de coisas.

― Estou começando a entender como a cena no salão de baile a entediava. Quem é? ― Ela tinha ido longe demais. Sabia disso. Se divertia com isso.

― Apenas uma jovem, como bem disse. ― Ela tentou soar confiante. ― Uma que quer que o seu primeiro beijo seja contigo.

― Estou feliz em ajudá-la nisso.

Ainda, assim, ele não a beijou. Em vez disso, a mão dele se fechou ao redor do seu ombro e ela inalou bruscamente. Seu toque era quente e forte através do tecido do vestido. Então, um único dedo viajou lentamente para o vale na base de seu pescoço. Um estremecimento percorreu-a.

― Oh. ― Ela sofria, querendo mais desse toque no poço profundo de um desejo que ela mal reconhecia.

― Diga-me para parar ― disse ele como o estrondo de uma tempestade.

― Nenhum homem jamais... eu nunca fui tocada. ― Ela estava se revelando, a ingênua inocente que poderia ser facilmente seduzida. Mas era tarde demais. Com poucas palavras e uma única carícia, ele já a seduzira. Era a maior devassa viva. ― Não posso acreditar que isso está acontecendo comigo ― ela sussurrou.

― Nesse caso estamos unidos na descrença. ― Ele estava perto, tão perto.

Seus lábios roçaram os dela e o céu desceu. O amanhecer rompeu a aurora. Choviam estrelas. Dos lábios aos joelhos, ela acordou com uma explosão de excitação e formigamento.

― Céus ― ela murmurou, agarrando-se a ele na escuridão.

Seus lábios eram macios, seus braços duros enquanto ela apertava seus dedos ao redor deles ― masculinos, estranhos e excitantes. E muito rapidamente tudo o que ela queria era mais. Mais lábios macios e braços duros, mais respirações se misturando, mais desse jovem nas suas mãos e na sua boca. Este homem, cuja mão segurou seu rosto e pressionou sua boca contra a dele, cujos lábios ficaram firmes e com um gosto bom. Ela o provou. Não sabia que um homem tinha um sabor. Ou texturas, macias e firmes, ásperas e suaves simultaneamente. Nunca tinha conhecido a carícia da respiração de outra pessoa em sua bochecha.

Tinha perdido muito.

Subindo por seus braços que eram maravilhosamente musculosos, seus dedos apertaram seus ombros. A lã lisa do casaco era tão desconhecida contra suas mãos, era tão estranho as pontas dos dedos acariciando as pontas de seus cabelos, tão estranho, delicioso e inebriante e ela queria mais.

Apertou mais os lábios contra os dele, mas não era suficiente. Ela ainda queria mais, muito mais. Algo estava faltando... Algo seria melhor se...

Ela abriu a boca.

E sentiu tudo. E entendeu porque os homens e as mulheres fáceis na festa se abraçavam como faziam ― porque não havia nada melhor do que isso ― porque para ela nunca seria o suficiente.

Emitiu sons, ruídos vindos da sua garganta, sem querer, que irrompiam na respiração que ele lhe roubava com os seus beijos. Não parecia se importar. As mãos dele envolveram seu rosto, puxaram-na para ele e ela ficou na ponta dos pés enquanto suas bocas se fundiram, dando e tomando, misturando e derretendo, e mais quente a cada momento. Toda ela estava quente, a sua garganta e coxas e em toda parte. O poder de seus braços sob as palmas das suas mãos a deixavam selvagem por dentro. Podia comê-lo, saboreá-lo e procurá-lo assim, mais profundo a cada respiração, mais desesperada para ter, possuir. Tudo dele. Sentiu a ponta da língua dele tocar o contorno de seus lábios e gemeu em voz alta.

― Diga-me para parar ― disse ele duramente. ― Afaste-me para longe.

― Eu não posso. ― Seus lábios procuraram os dele novamente, exigindo seus beijos. ― Deve se afastar por si mesmo. Pois acho que não posso fazê-lo.

Ele não se afastou. Ele segurou-a nas mãos e o universo se tornou ele ― a boca, o calor, a língua dele acariciando seus lábios, seus dentes, sua língua. Ela choramingou, agarrou seus ombros e o deixou entrar nela.

E então se separaram, ele estava afastando-a, e ficou sozinha na escuridão com os lábios húmidos, respirações frenéticas e mãos vazias.

― Tenho que ir ― disse ele com firmeza.

― Eu sei ― ela exclamou. ― Eu sei. Poderia...?

― Poderei...? ― Ele soou estranhamente sufocado.

― Se arrependerá?

― Por beijá-la?

― Por me deixar? ― Ela disse um pouco desesperada.

― Sim. Então, talvez devesse se afastar de mim de uma vez.

― Se sugere isso, porque acredita que não me arrependerei também, está enganado, senhor. — Ela o ouviu se mexer e o som de sua respiração tensa.

― Já estamos tendo nosso primeiro desentendimento ― disse ele. ― Esse é um sinal ruim, sabe. Claramente estamos condenados desde o início. Provavelmente o melhor será acabar com isso.

Ela riu.

― Tudo bem. Embora eu achasse que poderíamos permitir mais dez segundos.

― A isso?

― A isto.

― Isto? De pé, às cegas? Sem nos tocarmos? Eu não sobreviveria até dez segundos.

Ele parecia ter certeza.

― Como sabe disso?

― Tenho a sabedoria da idade e da experiência para me guiar.

Oh. Oh.

― Experiência ― ela murmurou, a alegria se esvaindo. ― Com mulheres, suponho. ― Claro. Ela era imensamente tola.

― Digo-lhe agora ― disse ele, numa nova voz ― com total honestidade e sinceridade, sem nada de esperança neste momento além de ser ouvido: nesta escuridão completa seu rosto está mais claramente gravado em minha memória do que de todas as outras mulheres que conheci.

Ele era imensamente bobo também, parecia. E perfeito.

― Metade do meu rosto. ― Ela sorriu.

― Com certeza. ― Sua voz sorriu de volta para ela. ― E seus olhos.

Ela mordeu o lábio. O sabor era cru. ― Não pode ser verdade que veja meu rosto e nenhum outro agora.

― Eu lhe digo que é a verdade, por Deus.

Um pequeno raio de esperança a iluminou por dentro.

― Mesmo?

― Vá ― ele rosnou como a fera que ela o nominara. ― Agora. Vá.

Ela deveria ir. Pensou que talvez ele estivesse tentando ser bom. Tentando impedi-los de se beijarem novamente.

Beijarem mais. Beijarem demais.

Ela nunca quis ir.

― Tudo bem. ― Tocando as paredes de ambos os lados, ela recuou. ― Boa noite, senhor. ― Então teve que se virar, porque a dor dentro dela não era mais prazerosa.

Na escuridão, ele encontrou seu pulso. Pegou, levantou e o beijou.

Ela suspirou.

Ele beijou a palma da sua mão, as pontas dos seus dedos, e ela não conseguia respirar, mal podia ficar de pé sobre os joelhos que tinham se transformado em geleia. Sensações fortes, quentes e maravilhosas a dominaram.

Ele abriu a mão, permitindo que se libertasse. Fez com que seus pés se movessem, obrigou-se a afastar a mão, passando os dedos por aquela palma calejada até não a sentir mais.

― Boa noite ― ele disse.

Então estava sozinha novamente, caminhando rapidamente pela escuridão. Sozinha com um segredo e um batimento cardíaco dolorosamente rápido e uma nova dor de perda na garganta e no peito que, em todos os seus dezoito anos de solidão, ela nunca imaginara ser possível.

Avançando pelas sombras, saiu da casa grande e depois andou os quatrocentos metros ao longo do caminho arborizado até a casa da viúva. A lua brilhava, seus lábios pareciam especialmente macios, e sabia que deveria se sentir culpada, mas não se sentia.

Mais tarde em sua cama, o sono não chegou facilmente. Ele estava lá agora, na casa grande. Ela conhecia todos os quartos em Fellsbourne. Poderia encontrá-lo hoje à noite. Ir até ele. Se ela ousasse.

E fazer o quê? Não era daquelas jovens. Era muitas coisas terríveis. Mas não era assim.

Não tinha certeza o que era ser uma daquelas jovens, de qualquer forma.

Quando a manhã chegou, se levantou antes do amanhecer, com os olhos turvos e fraca. Armada com seu arco, selou Elfhame e foi para a floresta. Eliza queria ensopado de lebre e estas eram abundantes nos limites da floresta. Ela conhecia bem os hábitos dos homens que compareciam às festas de Jack. Ninguém deixaria a casa grande antes do meio dia. Hoje não seria descoberta.

Quando chegou ao bosque, desmontou e prendeu o cavalo a uma árvore. Através das névoas que se erguiam da terra em nuvens suaves, rapidamente viu sua presa. À beira das árvores, comia trevos. Ela parou e observou.

Criatura inocente. Não tinha ideia de que poderia ser comido no jantar.

Retirando uma flecha da aljava em suas costas e definindo sua postura com o silêncio nascido da prática de anos, levantou o arco e encaixou a flecha. Localizando seu alvo, puxou a corda do arco.

Um graveto estalou por perto. As orelhas da lebre ergueram. De repente, entrou na vegetação rasteira. Ela saltou para frente, mas já era tarde demais. O sábio animalzinho afinal se deu conta, reconhecendo o perigo e reagiu rapidamente.

Soltando uma respiração frustrada, ela se virou para o arruinador de sua caçada. E cada partícula de seu corpo, privado de sono, voltou à vida.

Na madrugada enevoada, ele parecia ainda mais um príncipe élfico do que à luz de velas, com os olhos prateados e fixos nela com grande intensidade. Não apenas um príncipe. Um guerreiro. Ele usava o mesmo casaco da noite anterior, um pouco enrugado agora, e seu cabelo dourado estava despenteado. A espada ao seu lado parecia tão assustadora e sua postura tão poderosa e certa, que parecia ao mesmo tempo o homem mais comum e o deus mais extraordinário.

― Não era um sonho ― ele disse ― ridícula e maravilhosamente.

― Não sou um sonho ― ela respondeu, sorrindo, e sabia que seria a coisa mais simples do mundo fingir agora que não estava em perigo.


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A AUTORA:

Katharine é professora de história e cultura popular, ministra cursos sobre a história da ficção romântica, religião em filmes e ficção e escrita criativa na Duke University. Ela co-fundou e dirige a UNSUITABLE Speakers Series (Série Oradores Inadequados) na Duke University sobre mulheres, história e ficção popular. Escreve publicamente e ensina em workshops sobre história das mulheres, feminismo, romance e escrita. Também é a organizadora e moderadora do Feminist Romance Book Club (Clube literário de romance feminista) do Facebook.

Katharine vive no sudeste maravilhosamente quente com seu marido, filho e um jardim que ela gosta de chamar de romântico, em vez de desleixado. Adora conhecer os leitores pessoalmente e se conectar com os leitores por carta, e-mail e também nas redes sociais!



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