Pré-Venda Liberada - A Órfã da Oliveira

O segundo livro da autora Mirella Sichirollo Patzer já está disponível em pré-venda na Amazon. Se você leitor, gostou de A Noviça, com certeza vai amar A Órfã da Oliveira, um romance recheado de intrigas, inveja, mentiras e uma linda história de amor.



A Órfã da Oliveira - Mirella Sichirollo Patzer https://amzn.to/37z5MRr


Um Juramento de Sangue para casar seus primogênitos une as famílias Benevento e Ventura.

Duas mulheres. Uma maldição lançada por ciúme. E um segredo que pode destruí-las!

A superstição antiga de que gêmeos não-idênticos só podem ser fruto de pais diferentes. Uma gêmea, é levada com apenas um anel de ouro e um cobertor de brocado como pistas de seu passado, e deixada em baixo de uma oliveira em frente a um pequeno convento. A criança recebe o nome de Olivia e é criada pelas freiras. Ela conhece Luca e o amor entre eles é incontestável. Mas Luca já estava noivo. Conseguiria Luca evitar o casamento para ficar com Olivia? O passado de Olivia poderá afastá-los para sempre? O destino dá uma reviravolta e vem à tona algo que ninguém poderia prever... De duas vilas vizinhas no coração da paisagem toscana à elegância de Siena; de um mundo repleto de superstições antigas à uma cultura onde a honra da família é primordial, este é um romance multi-camadas das vidas, amores, segredos e esforços de duas mulheres e suas famílias no século XIII. Sobre a Autora: Primeira geração ítalo/canadense, Mirella nasceu em Edmonton, Alberta, Canadá, mas cresceu em Calgary, uma cidade famosa pela Calgary Stampede, companhias petroleiras e o Oeste selvagem. Frequentou a Universidade de Calgary, onde se especializou em liderança e recursos humanos. Trabalhou como secretária bilíngüe ítalo-inglesa, operadora de rádio da polícia e gerente administrativa. Mirella Sichirollo Patzer escreve romances históricos radicais em períodos emocionantes da história. Desde as eras medievais até o início do século XVIII, seus romances apresentam personagens intrigantes e fascinantes heroínas. Seu cenário favorito é a Itália, pois é aí que reside a raiz de sua paixão, as raízes de sua forte herança italiana, mas ela também escreveu sobre os primórdios do Canadá e da Alemanha medieval. Ela adora uma casa limpa e ordenada, mas odeia o trabalho doméstico, detesta o inverno e é um pouco claustrofóbica. Suas paixões são: ler livros, aqua-jogging, cozinhar, escrever e uma boa dose de seu tiramisu caseiro - uma receita que rivaliza com a dos melhores restaurantes italianos. Mirella mora em Cochrane, Alberta, com o marido e a família.


Ficou curioso? Leia um trecho!


Uma história de mentiras, segredos e traições profundamente evocativa, A Órfã da Oliveira é uma saga familiar de duas mulheres inesquecíveis, um pacto de sangue, uma maldição proferida pela inveja e o segredo sombrio que destrói suas vidas.

Do cenário de duas villas vizinhas no coração da paisagem toscana à elegância de Siena, de um mundo impregnado de superstições antigas a uma cultura em que a honra familiar prevalece, este multifacetado romance das vidas, amores, segredos e lutas de duas mulheres e suas famílias no século XIII.

Felicia Ventura é uma mulher sem pretensões, sozinha no mundo, casada com Enrico. Sonha com um futuro simples para constituir uma família, mas suas esperanças são despedaçadas graças a uma maldição e ao mau-olhado de sua invejosa vizinha, uma bela siciliana chamada Prudenza.

Prudenza é mundana e materialista, e a inveja que sente de Felicia não tem limites. Ela lança um mau-olhado em sua adversária. Quando Felicia dá à luz gêmeos, Prudenza reaviva uma antiga superstição e espalha o boato de que os gêmeos de Felicia são filhos de homens diferentes. O escândalo destrói sua vida. Logo, Prudenza dá à luz seus próprios gêmeos — duas meninas. Desesperada para manter as aparências, Prudenza se livra de uma delas, mantendo a existência da criança em segredo. Porém, com o passar dos anos, a verdade acaba por se tornar conhecida. Logo o logro de Prudenza levará ao desfecho de tudo que ela valoriza na vida.

A Órfã da Oliveiras é um romance inesquecível sobre intenções perversas, superstição, segredos não revelados, destinos incontroláveis… e sobre duas gerações de mulheres e o acontecimento extraordinário que as inocentará ou destruirá.



As desavenças em família são coisas amargas. Não seguem nenhuma regra. Não são como dores ou feridas; parecem-se mais como rasgos na pele, que não cicatrizam porque não há tecido suficiente.

~ F. Scott Fitzgerald

Você não escolhe sua família. Ela é um presente de Deus para você, assim como você é para ela…

~ Desmond Tutu

Não podemos destruir nossos parentescos. Nossas correntes se esticam um pouco às vezes,

Mas nunca quebram…

~ Marquesa de Sévigné

A família é a coisa mais importante do mundo…

~ Princesa Diana


Prólogo

Monteaperti Hills, Toscana

Setembro de 1260 d.C.

— Olhe para trás, Enrico! – O grito de advertência se elevou acima dos uivos e berros dos homens durante os violentos espasmos da batalha. Enrico Ventura reconheceu a voz como a de seu melhor amigo, Carlo Benevento. Antes que Enrico pudesse olhar para trás, um guerreiro florentino atingiu sua cabeça com uma manopla guarnecida de espinhos. Ele se curvou para evitar o golpe, mas não foi rápido o suficiente. Os espinhos de metal atingiram o lado do rosto com força. O vazio entre a vida e a morte o engoliu antes que caísse no chão.

***

O cheiro de sangue e morte preencheu as narinas de Enrico. Fragmentos de dor atravessaram sua cabeça, arrebatando-o das profundezas do esquecimento. O nevoeiro nublou sua mente quando abriu os olhos. Ele podia apenas ver a escuridão; nem o campo de batalha, nem o céu e a terra, nem mesmo o próprio corpo.

— Dio – ele gemeu. A dor golpeou sua caixa torácica e cabeça. Engoliu o terror e ouviu. Os sons de gritos de combate e batalha, o zunir de flechas, o choque de armas haviam desaparecido. A batalha deveria ter terminado. Agora, apenas os gemidos dos feridos cortavam o ar. Ele apalpou o peito. Alguém havia lhe tirado a armadura. Tateou, procurando por sua lança e espada larga, mas não conseguiu encontrá-las. Quanto tempo havia ficado inconsciente?

Esforçou-se para se sentar, mas a dor dos músculos submetidos a uma tensão excessiva o ferroou. Seu rosto latejava e todo o corpo doía. O cheiro do próprio sangue tomou seus sentidos. Por enquanto, tudo o que podia fazer era permanecer deitado, indefeso, e esperar que as padiolas chegassem. Ele seria levado para ficar com os outros feridos. Então, poderia voltar para casa. Agarrou-se a essa esperança, muito próximo do desespero.

— Carlo! – gritou Enrico, chamando o amigo, mas apenas um som rouco, pouco mais que um sussurro, emergiu de sua garganta ressecada. – Carlo! – ele tentou novamente. Os gemidos e gritos daqueles que estavam ao seu redor sufocaram sua voz fraca. Enrico temia o pior. Suas entranhas se contraíram de medo, pela possibilidade de Carlo estar ferido por perto e não poder vê-lo ou fazer qualquer coisa para ajudar.

Durante toda a sua vida, Enrico havia protegido Carlo, que nasceu com a perna direita mais curta que a esquerda e o pé torcido em um leve ângulo. Se não fosse o aviso do amigo durante a batalha, o golpe da manopla poderia tê-lo matado. Carlo salvara sua vida. Estava em enorme dívida para com ele. De alguma forma, assim que pudesse, deveria encontrá-lo. Rezou para encontrá-lo vivo.

Enrico esperou e logo perdeu a noção do tempo. Cego e com dores, suportou os raios do sol que queimavam sua pele. Horas de calor intenso haviam maturado o cheiro de sangue, urina e vísceras ao seu redor, no campo de batalha. Então, como se viesse de uma grande distância, ouviu alguém gritar seu nome.

— Enrico! Enrico Ventura! – A voz grave pertencia a Carlo e vinha de algum lugar à direita.

A voz sacudiu Enrico até a consciência plena. Não havia como confundi-la. O som o inundou como uma maré reconfortante.

— Aqui, Carlo! – Enrico estremeceu de dor pelo esforço em responder. Ouviu o arrastar e pisar do conhecido mancar de Carlo quando se ajoelhou ao seu lado. – Vinho. – Enrico não conseguiu dizer mais nada.

Dio buono! Aqui. Beba, meu amigo. – Carlo levantou a cabeça de Enrico e levou uma jarra à sua boca.

Os lábios e a garganta ressecados de Enrico saborearam o vinho quente. Bebeu até o líquido acalmar a secura. Então, fez uma pausa, fortalecendo-se para falar em voz alta as palavras que temia.

— Não posso ver, Carlo.

Carlo apertou o seu ombro.

— É de manhã agora. A batalha durou até o pôr do sol, mas vencemos. O inimigo deve ter roubado sua armadura e armas no escuro. Ouvi dizer que dez mil florentinos morreram, outros quatro mil estão desaparecidos.

— O quão gravemente estou ferido?

Carlo fez uma pausa.

— Não vou mentir para você. Levou um golpe brutal. Há um corte no lado esquerdo do seu rosto, do olho ao queixo, e o olho direito está fechado pelo inchaço. Mas o resto do seu corpo parece ileso.

— Além do fato de que não posso ver. – Enrico engoliu em seco e um nó se formou na garganta. – Sou grato por sua honestidade e minha boa sorte – disse ele, sombrio. Seus ferimentos poderiam ter sido muito piores.

Descansaram em silêncio, ambos exaustos.

Depois de algum tempo, o cirurgião os encontrou e ofereceu mais vinho para Enrico, para ajudar a aliviar a palpitação. O homem limpou o ferimento e envolveu um pano em volta dos olhos e da testa. Quando terminou, Enrico ouviu o sussurro do cirurgião para Carlo.

— O olho esquerdo dele está perdido e a face embaixo está irremediavelmente esmagada. Se Deus quiser, assim que o inchaço diminuir, poderá ver com o olho direito. Leve o homem para casa e verifique se as feridas não apodrecem. – Com essas palavras, o cirurgião se afastou para cuidar de outras pessoas.

Carlo não estava ferido. A constatação fez com que uma onda de alívio percorresse Enrico. Pelo menos um de nós está inteiro, pensou ele.

***

Cansado da batalha e entorpecido pela exaustão, Carlo passou os olhos pela última vez sobre as colinas de Monteaperti. O riacho Arabia serpenteava pela paisagem. Suas águas, outrora de um azul glorioso, agora corria escarlate de sangue. Dezenas de milhares de homens estavam mortos, espalhados como refugo por toda parte nas colinas, seus corpos apodrecendo sob o sol do novo dia. O cheiro do banho de sangue e de carne morta germinava no calor do final do verão.

A colina da morte; aqueles que sobreviveram já haviam começado a chamá-la assim. O sol da manhã revelou a verdadeira extensão do combate; os sons estranhos de homens gritando por socorro e água, gemendo de dor. Levaria semanas para enterrar os mortos, mas suas almas certamente assombrariam para sempre aquelas colinas. Carlo enxugou o suor da testa com a manga suja e salpicada de sangue. Os corvos e abutres já circulavam no céu, ansiosos para se banquetear com os mortos recentes. O odor metálico do sangue saturava o ar.

Aquela batalha final havia sido a mais brutal. Seu exército sienense havia derrotado os arrogantes florentinos. Ele soltou um suspiro exausto — todo aquele sangue, toda aquela morte, e para quê? Porque quarenta e cinco anos atrás, um nobre florentino renegou seu noivado com uma nobre de Siena e casou-se com outra. Os sienenses juraram vingança e o mataram. Foi o que provocou a longa e amaldiçoada contenda que culminou naquele último encontro mortal. A guerra entre Florença e Siena poderia ter terminado por ora, mas aquele ódio não seria tão facilmente distinguido. E uma mulher estava na origem de toda aquela morte. Havia a briga finalmente acabado? Quem saberia o que o futuro reservava?

Carlo nunca havia ficado tão feliz em deixar um lugar. Depois de ver Enrico sendo carregado com segurança em uma carroça, eles partiram. As ondas de calor distorciam a estrada à frente, enquanto ele caminhava ao lado da carroça. Cada passo o levava para mais longe do lugar horrendo. Ficou feliz por Enrico não poder ver as terríveis consequências. Carlo colocava um pé cansado à frente do outro, ignorando a fome que roía sua barriga, enquanto se esforçava para manter o ritmo, apesar do seu andar desajeitado. Ele e Enrico haviam sobrevivido. Pouco mais importava.

O tempo passou muito devagar enquanto ele caminhava sob o sol ardente da tarde em direção à sua casa. Carlo ignorou o latejar na perna deformada e olhou para Enrico. A cada sacudida, a dor se estampava no rosto do amigo, mas suportava o desconforto sem emitir qualquer som ou queixa. Desde a infância, Enrico cuidava dele por causa de sua coxeadura. Agora que era Enrico quem havia sido ferido, era bom retribuir o favor e ajudá-lo.

Quanto mais longe ele seguia, mais fácil ficava enterrar as lembranças da desolação e da ruína, os gemidos dos feridos, os gritos dos moribundos e o fedor do campo de batalha encharcado de sangue. Atrás e diante deles, centenas de homens caminhavam, fila após fila. Cotas de malha e armaduras retiniam em uma cadência desigual, enquanto avançavam pelo terreno montanhoso. Felizmente, após o combate, o cansaço venceu seu doloroso desânimo. Pensamentos sobre sua casa o atraíram, apesar de sua exaustão. Homens exaustos saíam das fileiras e seguiam seus próprios caminhos para aldeias ou fazendas. Sabia que todos reviveriam nos anos seguintes as horríveis visões de combate e morte em seus pesadelos.

Logo, chegaram à estrada que levava à vila de Costalpino. Suas vivendas ficavam nos arredores.

Carlo ajudou Enrico a descer da carroça e, com um braço em volta da cintura do amigo e o outro segurando firmemente o braço por cima do ombro, se despediram de seus companheiros e cambalearam pela alameda. Ciprestes e oliveiras familiares ladeavam a estrada até o pequeno vale verdejante. Sua coxeadura, juntamente com a cegueira e os ferimentos de Enrico, forçava-os a avançar lentamente. Carlo parou para descansar no topo da colina que contemplava as terras de suas famílias.

— Estamos em casa, Enrico.

— Descreva-a para mim, Carlo.

Indescritivelmente fatigado, Carlo não queria empregar mais esforço, mas entendeu. Como poderia negar ao amigo uma descrição daquela vista espetacular? A visão parecia mais doce porque haviam sobrevivido.

— Estou olhando para o vale de nossas villas. Parecem tão grandes quanto castelos. O pequeno riacho que separa nossas casas é tão azul quanto o céu de verão. Sinta o cheiro dos limoeiros e do tomilho selvagem, Enrico. O vento traz um magnífico aroma só para nós.

Com palavras, Carlo pintou uma imagem da longa estrada de terra, ladeada por árvores, que levava à villa de Enrico. Seu nome era Casa di Fiore, graças às abundantes flores e roseiras que a esposa de Enrico, Felicia, cultivava. A villa situava-se em uma ligeira elevação. Abrigada pela suave cortina de oliveiras no lado norte, a elegante casa aninhava-se como uma joia em seu engaste. Construído em torno de um pátio interno, o quadrilátero de três andares de pedra cor de rosa desgastada pelo tempo apresentava uma imagem singular. Uma grande oliveira, com o tronco disforme e retorcido, com galhos torcidos e caídos, ficava no centro do pátio, em frente à casa.

Carlo voltou o olhar para sua própria casa. Villa Bianca descansava a leste do riacho que separava as suas propriedades. As pedras cinza-claras compunham sua fachada, um contraste com os tons rosados da Casa di Fiore. A tinta cor de vinho coloria suas numerosas portas e persianas. O terreno e os jardins que cercavam a construção eram pujantes, com limoeiros e sebes. Sua esposa, Prudenza, não possuía as habilidades nem o desejo de cultivar nada. Como resultado, a Villa Bianca parecia mais rústica e assustadoramente solitária.

— E, além de nossas duas vivendas, em ambos os lados do riacho, se estendem nossas vinhas e pomares. – Carlo suspirou, encantado ao ver o vale exuberante sob o céu de rosas e lavanda. – Que visão acolhedora é essa. Já vi guerras e invasões suficientes por toda a minha vida. – Ele ajudou Enrico a se sentar no chão.

Enrico balançou a cabeça, em sinal afirmativo.

— Com certeza, amico. Se eu nunca mais levantar minha espada, irei me considerar um homem afortunado. – Um suspiro cansado escapou de seus lábios.

Carlo sentou-se ao seu lado e esticou as pernas.

— Sou um homem de sorte – disse Enrico. – Meu rosto pode estar agora mais feio do que o de um espantalho, mas voltamos para casa vivos.

A tentativa de humor de Enrico era uma prova de sua boa natureza e trouxe um sorriso aos lábios de Carlo. Enrico sempre teve um espírito mais gentil, menos franco do que ele era.

Nenhum dos homens falou por um momento.

Carlo examinou o encanto do vale acolhedor.

— O que faremos agora que a guerra terminou e o restante das nossas vidas se estende diante de nós? – perguntou Enrico.

— Bem, primeiro, vou me saciar com a carne macia da minha esposa e espero ter muitos filhos. – Carlo sorriu abertamente. Ele esfregou a perna para aliviar a dor provocada pela longa marcha e por ter carregado o peso de Enrico.

— E depois, o quê?

— Nada, além de saborear a terra sob meus pés, sentir a brisa morna passando pelos meus cabelos e tendo um bom dia de trabalho em nossas vinhas e pomares. – Carlo contemplou a simplicidade de seus desejos e parou de massagear sua perna.

— Você salvou a minha vida. – A voz de Enrico tremia de emoção.

A culpa se apoderou de Carlo.

— Não, eu falhei com você. Pelo resto da minha vida, carregarei o remorso por não ter chegado perto o suficiente para impedir aquele golpe.

— Se você não tivesse me avisado, eu estaria morto agora. Não se culpe. É o infortúnio da guerra. Você não poderia ter evitado o que o destino havia decidido para mim. – Enrico estendeu a mão manchada de sangue e a apoiou no ombro de Carlo.

— E eu sou grato a você, Enrico. Durante toda a minha vida, você guiou meu pé decrépito para um estribo ou buscou algo para mim sempre que a dor se tornava insuportável. – Carlo sorriu ao se lembrar das muitas gentilezas do amigo.

— Somos abençoados por termos um ao outro. Em homenagem à nossa amizade e por salvar minha vida, quero que nossas famílias sejam como uma só.

— Já são.

Enrico fez uma pausa.

— Mas quero mais, algo mais forte, que dure enquanto vivermos e para além disso. Façamos os votos de casar nossos filhos primogênitos.

— Feito, desde que tenhamos filhos e filhas – disse Carlo, com um sorriso. – Também podemos dar nossos nomes aos filhos um do outro.

Enrico soltou uma risada.

— Não tenho dúvida de que daremos. Vamos fazer um juramento de sangue diante de Deus e cumpri-lo até a morte.

Carlo hesitou e depois procurou sua adaga, retirando-a da bainha no lado de seu corpo.

Enrico levantou o braço esquerdo.

— Corte-me.

Carlo balançou a cabeça.

— Não posso.

— Você tem que cortar. Não posso fazê-lo já que não vejo.

Relutantemente, Carlo segurou a lâmina sobre o interior do antebraço esquerdo de Enrico e parou.

— Lembre-se de que o corte é profundo o suficiente para deixar uma cicatriz, para nos lembrar para sempre de nossa promessa – disse Enrico.

Com muito cuidado, Carlo passou a lâmina pela pele de seu amigo até que uma faixa profunda e de um vermelho vibrante surgiu. Enrico não se encolheu. Carlo pegou a lâmina e fez uma incisão não menos profunda ou longa em seu próprio antebraço esquerdo. Doeu só um pouco. Eles encostaram as feridas uma na outra para misturar o sangue, enquanto Enrico proferia o juramento, que Carlo repetiu.

Diante de Deus, juramos:

Como o mar liga-se ao rio, a árvore à semente,

Como a pedra liga-se à montanha, ligamo-nos eternamente.

Deste dia em diante, que nossas famílias se unam.

Na eterna chama da honra nossos sangues se misturam.

Se este voto for desfeito, uma maldição sobre elas cairá.

E o fruto do meu corpo o seu nome levará.

Carlo rasgou uma tira de pano de sua túnica e amarrou as feridas para conter o fluxo sanguíneo.

— O primogênito deve se casar com o primogênito. Agora, você tem meu juramento e farei tudo ao meu alcance para cumpri-lo.

— Assim como eu, amico mio. Assim como eu, meu amigo. Venha, vamos para casa – disse Enrico. – Se eu tiver sorte, minha esposa aceitará meu novo rosto e não correrá, assustada. – Ele fez uma careta quando Carlo o ajudou a ficar de pé. – Em um ano ou dois, se Deus quiser, nossos filhos nascerão e um dia nós os casaremos.

Uma meia-lua clara começava a subir de detrás das encostas férteis do vale, enquanto Carlo ajudava Enrico a se levantar. O conhecimento de que seu juramento de sangue, um voto tão sagrado que nunca poderia ser quebrado, ligaria para sempre suas famílias, os envolveu com uma sensação de paz.

Contando com dois olhos bons e três pernas saudáveis, Carlo levou Enrico para casa na última etapa de sua jornada, certo de que um futuro, rico em promessas, se colocava gloriosamente diante deles.


Gostou? Não perca tempo e garanta seu exemplar já disponível em pré-venda!

Se você leu e avaliou algum dos nossos livros na Amazon, envie o print por e-mail e receba marcador gratuitamente!

21 visualizações
Fique atento às novidades
Inscreva-se/subscribe now
  • logofbA
  • logotwA
  • logoinstA
  • logoytA
  • logopintA

Nossas Redes Sociais

  © Todos os direitos reservados