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O Conde (Duque do Diabo Livro 2) - Katharine Ashe

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Prólogo

O Menino Silencioso

Outubro 1801

Maryport Court,

Cumbria, Inglaterra

Com a coluna rígida e ombros enquadrados, o menino sentou-se na cadeira perto da janela com as palmas das mãos nos joelhos e as solas dos pés pressionadas contra o chão. Ele não se mexeu. Nem mesmo sua respiração superficial agitara sua estrutura ossuda como a de um asceta, nem seu rosto sem expressão, como se um artista tivesse desenhado as feições em repouso, mas se esquecido de investir a humanidade nelas.

— Deve permitir que o veja — sua mãe disse do outro lado da porta com uma voz que fez o interior do menino se revolver.

A maçaneta da porta sacudiu. Mas o painel era sólido, feito séculos atrás, de alguma árvore antiga que havia crescido na Floresta de Gray. No passado, com seus punhos inadequados de menino tinha golpeado a porta. Ainda exibia as marcas de um soldado de brinquedo que ele havia recrutado para abrir uma brecha naquela fortaleza, sem sucesso. Ele era muito fraco na época

Agora deveria ser forte. Os soluços dela torceram em sua barriga, mas ele permaneceu imóvel, olhando pela janela para o parque. Além dos galhos nus do carvalho que arranhavam as vidraças como unhas na ardósia, ao longo do caminho para o mar, duas mudas lutavam contra o vento frio, aconchegadas em um canto da colina. O jardineiro havia dito que foram plantadas de maneira imprudente, que, quando crescessem, se amontoariam e uma ou ambas morreriam. Mas sua mãe havia insistido.

Ele mal se lembrava; tinha apenas cinco anos na época. Mas ela gostava de contar a história, e ele gostava de ouvi-la.

Agora, folhas de um vermelho vibrante se agarravam aos galhos finos de uma das mudas, as folhas douradas da outra pinoteavam por perto. No mundo empolgado do início do inverno, seus olhos se fixavam nelas avidamente.

— Vá embora agora, Amelia — disse o Conde do outro lado da porta, não com desdém, mas o enrolar de sua língua irlandesa, era especialmente pronunciado.

— Eu não vou. — O trinco foi puxado novamente. — Deve permitir que eu fale com ele, Eirnin. Por um momento apenas. Eu imploro.

— Não beneficiará a nenhum dos dois.

— Beneficiará! Eu sei o que ele quer dizer. Eu o entendo. Você não. Eu...

Que uma mão firme em uma bochecha macia pudesse estalar de maneira tão limpa e ordenada era estranho e doloroso e fez o menino sentir que poderia desonrar a si mesmo agora.

O suspiro de sua mãe borbulhava em soluços mais fortes.

— Não me contrarie — disse o Conde com firmeza. — E não implore. Não é digno da minha esposa.

— Eirnin — ela sussurrou. Agora suas palavras eram abafadas. — Eu lhe imploro.

— O menino vai falar por si mesmo, ou não falará nada.

Deve lhe dar tempo. Pelo amor de Deus, ele é apenas uma criança.

— Ele é meu herdeiro. Ele será um homem mais cedo do que qualquer um de nós espera.

— Ele será um bom homem — ela insistiu. — E será um grande lorde, mesmo se falar uma palavra ou não.

O pulso do menino disparava em sua garganta. Ele abriu bem a boca. Umedeceu seus lábios com uma língua grossa. Mas nada apareceu. Nada nunca saiu.

— Já tive o suficiente. — A voz do Conde era mais grave agora. — Tornou-o dependente, Amélia. Não queria que chegasse a isto outra vez, mas...

Não, Eirnin. Não pode. — Medo e descrença se entrelaçaram através de seu sussurro. — Não deve.

— Colin. — O Conde falou através da porta semifechada. — Sua mãe está indo embora. Se quiser falar, faça-o agora e eu permitirei que ela permaneça.

Seu corpo estava rígido. Uma névoa difusa invadiu sua cabeça, quente, sombria e sufocante. Podia sentir suas narinas se dilatando, seus olhos formigando, seu peito se soltando do aperto congelado e empurrando enquanto o ar entrava e saía de seus pulmões.

Nenhum som saiu de sua boca.

— Assim seja — disse o Conde.

— Colin! — Sua mãe chorou, um som emudecido como se seus lábios estivessem pressionados contra o painel. — Eu voltarei. Não fique ansioso. Nos veremos novamente em breve, prometo. — Havia lágrimas em sua voz. — Seja um bom menino. Faça o que seu pai lhe pedir e ouça sempre o Sr. Gunter. Não, Einin! Não, por favor. — Ela estava mais longe de repente. — Colin, — ela chamou, — lembre-se do que eu te disse. Você é perfeito como é. Perfeito, meu filho querido.

E, em seguida, eles foram embora, seus passos ecoando para baixo da escada, seus soluços desaparecendo.

Ficou sentado por um longo tempo, na sala com apenas uma cadeira, tanto que a luz do dia desapareceu e não podia mais ver as mudas na colina. Sem vela, finalmente ficou na escuridão e o frio se apropriou dele. Mas ele permaneceu imóvel, apesar de um rangido em algum lugar que o fez estremecer e o vento do mar que batia na vidraça parecendo fantasmas. O Conde admirava a coragem e a força.

De manhã, quando a governanta viesse e abrisse a porta, ele faria suas lições com o Sr. Gunter, que diria ao Conde como ele era disciplinado, e quão inteligente era, apesar de sua incapacidade de falar. Então, satisfeito, o Conde permitiria que ela voltasse para casa, como fizera em tempos anteriores.

E talvez desta vez, quando ela voltasse, talvez se ele tentasse muito, falaria com ela.

Ele poderia fazer isso. Ele faria. Desta vez ele diria: — Bem-vinda ao lar, mamãe.

Então ela o envolveria em seus braços e juntos ririam com alegria.



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