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Mar de Jamim (River's End Livro 2): Phillipa Nefri Clark https://amzn.to/3iyngm7

O romance cresce... ...o mistério se aprofunda.


O amor sobreviverá à tempestade no horizonte? Foram os laços familiares que levaram Christie Ryan a River's End, a pequena cidade litorânea da costa australiana, mas é seu coração que está dizendo para ela ficar. Tendo arrumado o chalé de sua avó, Christie está pronta para deixar o passado para trás e dar uma chance para um futuro com o artista local, Martin. Quando Martin é abordado por uma desconhecida para um retrato, ele aceita, ansioso para construir um novo lar para sua vida com Christie. Martin não conhece a infeliz cadeia de eventos que essa encomenda colocará em movimento. Nem das forças sombrias da antiga vida de Christie, que ainda não estão preparadas para deixá-la ir... Juntos Christie e Martin terão que resistir à tempestade para descobrir quem está por trás dos esforços para arruinar sua felicidade. E ao fazer isso, aprender que para que o amor triunfe, às vezes é preciso ter fé para afundar ou nadar... Se ainda não leu Uma Questão de Tempo, acesse o link: https://amzn.to/2C5J4Vp


1-Partindo de River’s End

— Não consigo esperar nem mais um minuto! — Os olhos de Martha brilharam ao pegar a mão de Thomas.

— Sempre impaciente. — Ele beijou os dedos dela. — Como você vai ficar quando chegarmos ao aeroporto?

— Gosto bastante de aeroportos. São um lugar gostoso para ler. Cadê minha passagem?

— Num lugar seguro. — Ele deu um tapinha no bolso da jaqueta. — Não vou deixar que ela caia no mar.

— Você nunca vai me deixar esquecer disso? — As palavras deveriam ter soado apenas como um sussurro, mas ela sabia que Thomas as tinha ouvido. Com um sorrisinho, ele olhou para o relógio. — Espero que aqueles dois voltem antes do ônibus chegar. — Martha mordeu o lábio inferior e pegou a mão dele novamente.

— Ela vai estar aqui quando voltarmos.

— Mas e se ela não estiver? Acabei de encontrar minha sobrinha-neta.

— Pense. Por que ela não ficaria aqui? Ela tem a casa de campo e Martin. Pensando bem, quem abandonaria Randall?

— Você.

— Talvez eu não devesse te acompanhar.

— Thomas! Estou falando sério. E se alguma coisa acontecer?

— Não vai. Escute-me. Melhor ainda, vire-se.

De mãos dadas, Christie e Martin se apressaram ao sair de uma lojinha em Green Bay. Christie disse algo a Martin que o fez irromper em risos.

Thomas apoiou um dos braços ao redor dos ombros de Martha.

— Nunca ouvi o garoto rir tanto assim antes dela aparecer. — Ele olhou para trás. — Nossa carona chegou.

— Ah, sinto muito termos demorado! — Christie jogou os braços ao redor de Martha enquanto o ônibus estacionava. — Queria que você levasse isso. — Ela ofereceu uma caixa para a tia-avó. — É uma camerazinha. Tudo que você precisa fazer é mirar e fotografar.

— Vou sentir sua falta, querida! — Martha beijou a bochecha de Christie e se aproximou de Martin. — A sua também, jovenzinho.

Martin ofereceu sua bochecha a ela.

— Também vamos sentir sua falta.

— E eu? — reclamou Thomas.

— O que tem você?

— Você está tentando se livrar de mim para ficar com o cachorro.

— Randall já é meu cachorro, vovô.

Alguns passageiros desceram do ônibus, seguidos pelo motorista que abriu a porta do bagageiro. Martin e Thomas levaram as malas até lá e ajudaram a guardá-las.

Martha sussurrou para Christie:

— Fique bem, minha querida.

— Claro que vou ficar! — Christie a abraçou. — Divirta-se na Irlanda, tire muitas fotos e, quando você voltar, podemos decidir onde vocês dois vão morar.

— Tem uma casa perfeita para isso nas montanhas. — Thomas abriu os braços para Christie. — Minha esposa e eu iremos morar lá.

— Não resolvemos nada ainda! — Martha deu um tapinha no ombro dele. — Vamos, querido.

O motorista subiu novamente no ônibus. Thomas guiou Martha pelos degraus da entrada, com uma das mãos em seu cotovelo. Encontraram seus assentos logo na frente, e estavam se acomodando quando a porta se fechou.

Ali estavam eles, dando início à lua de mel. Martha pegou uma das mãos de Thomas quando o ônibus deixou a cidade. O homem que assombrara seus sonhos por toda uma vida finalmente era seu marido.

Quando estivera pela última vez nesta estrada, seguindo nesta mesma direção, ela estava fugindo — em dezembro de 1967.

Martha não fazia ideia do porquê precisavam partir logo antes do amanhecer, mas Patrick, seu pai, insistira. Ele gostava de demorar quanto tempo fosse preciso, tendo cuidado com as curvas fechadas.

Ela não conseguia se lembrar da família toda visitando Melbourne junta; certamente, não desde a infância. No entanto, agora, sua mãe, Lilian, estava sentada ao lado de Patrick, mantendo um dos olhos na velocidade do carro. Dorothy adormecera ao lado de Martha.

Isso parecia errado. Cada quilômetro a levava para ainda mais longe de Thomas. Ainda mais longe de se reconciliar com ele. Quase uma semana atrás, no meio de uma tempestade violenta, ela terminara o noivado depois de vê-lo com sua melhor amiga quase pelada. Ex melhor amiga.

As palavras dele ainda ecoavam em sua mente:

— Vou esperar você, Martha! Todo amanhecer, no final do píer.

No píer deles. Do qual ela escorregara durante a tempestade, caindo nas ondas que a afundaram e que teriam lhe roubado a vida. Contudo Thomas a encontrou.

Por que, ah… por que o orgulho dela fizera isso? Fizera com que ela dissesse coisas que não queria e, ainda pior, que tomasse uma atitude como essa. Isso não era uma simples visita à cidade. Martha ficaria com Dorothy por um tempo, até planejar seu futuro. E Lilian ficaria com elas.

— Vamos passar um tempo maravilhoso juntas. As três garotas descobrindo o que Melbourne tem a oferecer. — Lilian ficara tão animada que Martha se permitiu ser convencida a acompanhá-las. Afinal de contas, seria apenas por um tempinho, até Thomas se desculpar e fazer tudo voltar ao normal.


Agora, Martha precisou piscar algumas vezes para clarear a visão e se lembrar de que estava num momento muito mais feliz de sua vida. O ônibus serpenteou suavemente pelas mesmas curvas, com um oceano azulíssimo de um lado e arbustos do outro.

— No que está pensando?

Martha sorriu para Thomas.

— Mal posso esperar para lhe mostrar minha casinha na Irlanda. E para apresentá-lo aos meus amigos. É um lugar tão lindo que você vai querer ficar pintando o tempo todo.

Ela apertou a mão dela.

— Mais alguma coisa?

O mesmo anel de noivado que ela jogara na areia durante a tempestade estava agora em seu dedo, exatamente onde sempre deveria ter estado. Mesmo se agora suas mãos tivessem envelhecido, e seu corpo, uma vez forte, tivesse enfraquecido com o passar dos anos.

Seus olhos se encheram de lágrimas.

— Perdemos tanto tempo.

— Então vamos garantir que mais nenhum momento seja perdido. Minha linda garota, o tempo não importa. Agora, conte-me mais sobre a Irlanda.


Christie e Martin acenaram até o ônibus sumir de vista. Ao mesmo tempo, abaixaram os braços. Martin se aproximou de Christie e a puxou para um abraço.

— Eles vão ficar bem.

— Claro que vão.

— Thomas é muito responsável e cuidadoso.

— E Martha viajou bastante. Ela conhece os aeroportos, os passaportes e tudo com que Thomas não sabe lidar.

— Sim. Então você pode parar de se preocupar.

Christie se inclinou para trás e olhou para Martin.

— Eu?

— Bem… Eu não estou preocupado.

— Sei.

— Mas estou preocupado que aquela sucata que Thomas dirige não vai conseguir voltar para River’s End.

Christie riu.

— Não me admira eles terem insistido em irem de ônibus. Duvido que o carro teria chegado a Melbourne.

— Se você tivesse um carro decente com um porta-malas grande, poderíamos tê-los levado ao aeroporto.

— Eu? E se você tivesse um carro em vez de uma moto caduca? E não menospreze meu lindo Lotus! — Ela apoiou os braços ao redor do pescoço dele. — Você é inacreditável. Mas eu te amo mesmo assim.

— Que bom, senão você voltaria andando para casa depois de ter insultado meu bem mais precioso.

Christie ficou na pontinha dos pés para encostar os lábios nos dele.

— De qualquer maneira, eles vão voltar daqui algumas semanas. E eu tenho uma casa de campo para renovar.

Martin pegou uma das mãos dela, e eles caminharam pela estrada onde o velho Land Rover de Thomas estava estacionado.

— Thomas decidiu que vão morar na casa dele.

— Mas você disse que o lugar está velho e acabado. Mudar para a cidade não seria melhor para eles?

— Você acha que vamos conseguir voltar sem uma parada para o motor resfriar? — Martin abriu a porta do passageiro para Christie.

Ela entrou no carro.

— Quer fazer uma aposta?

— Não. Vamos apenas esperar que nada de ruim aconteça. — Atrás do volante, Martin girou a chave. Depois de uma engasgada, o motor rugiu. Com um pouquinho de empenho, conseguiu mudar a marcha e acelerar pela estrada.

— Você sabia que o avô do meu bisavô ganhou a Casa Palmerston numa rodada de pôquer? — perguntou Christie.

— Uma boa razão para não fazermos apostas.

— Ah… não sei. Imagine, de repente, ter uma propriedade em mãos por nada mais do que a sorte de estar no lugar certo, na hora certa.

Divertindo-se, Martin olhou para ela.

— Sim. Imagine isso.

— Você quer dizer a casa de campo? Acho que sim. Por mais que eu a ame, muitas vezes acaba sendo um grande peso. Você sabe… com toda a tragédia ao redor dela e agora todo o trabalho de renovação de que precisa.

— Ela trouxe algo bom para você?

O rosto de Christie se iluminou.

— Nadinha. Exceto me trazer a River’s End para encontrar o amor da minha vida.

Martin apertou a perna dela. Agora, não mais em Green Bay, a estrada sinuosa clamava pela atenção dele, e Christie ficou contente por poder observar o oceano. Nunca a grandiosidade poderosa do mar falhava em emocioná-la. Alguma parte profunda e primordial dela precisava ficar perto dele.

Nascida no interior da Austrália, viu o mar pela primeira vez aos sete anos, pela janela de um avião que a trouxera a Melbourne depois da morte dos pais. Ela foi à praia de St. Kilda, pela primeira vez, alguns meses depois. Vovó a proibiu de nadar no mar, e sua fúria aterrorizou Christie na primeira e última vez que ousou desobedecer a Dorothy.

— Tudo bem?

— Hmm? Ah, estou apenas pensando.

— Em mim, espero.

— Meio que sim. Mais no mar. Mas se você estivesse no mar, eu estaria pensando em você.

— Certo.

Christie olhou furtivamente para ele. Vestindo sua camiseta quadriculada com as mangas enroladas e seu jeans preferido, ele estava tão atraente que Christie precisou se esforçar para controlar suas mãos inquietas.

— Não sabia que você dirigia.

— Por que eu não dirigiria?

— Você não tem um carro.

— Não gosto de carros.

— Bem, você dirige direitinho.

— Eu provavelmente observo o limite de velocidade e as condições da estrada um pouquinho mais do que você, jovenzinha.

— Para celebrar a ida de Martha e Thomas a Irlanda, que tal um jantar?

— Mudando de assunto… — observou Martin. — Tudo bem. Vamos celebrar a lua de mel deles. Uma lua de mel inacreditavelmente atrasada.

Uma placa de River’s End apareceu. Martin desacelerou, apontou para ela e virou na rua de Christie. O velho Land Rover reclamou nas primeiras marchas, mas se saiu muito bem navegando os buracos ao lado da linha de trem abandonada.

No caminho da entrada da casa, Martin deixou o carro em ponto morto.

— No bar hoje à noite?

— Ótimo. Vou andando.

Martin se inclinou e tocou o rosto de Christie.

— Eu te amo, querida. Thomas e Martha vão se divertir muito. Então, precisamos nos divertir por aqui. — Ele beijou Christie com uma delicadeza apaixonada. Com o coração batendo acelerado, ela fechou os olhos e se rendeu ao saber que era amada. Amada por completo.

Obrigada por acompanhar o nosso trabalho e ótimas leituras!

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